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Aula T: 209 - T:306 - Menina que Conquistou o Espaço: A Jornada de Juliana Estradioto

 A Menina que Conquistou o Espaço: A Jornada de Juliana Estradioto

O Começo: Curiosidade no Litoral Gaúcho.





A Menina que Conquistou o Espaço: A Jornada de Juliana Estradioto

      A história de Juliana Estradioto não começa em um laboratório tecnológico de uma grande metrópole, mas sim nos corredores do IFRS (Instituto Federal do Rio Grande do Sul), Campus Osório. Nascida em uma região cercada por belezas naturais e uma forte produção agrícola, Juliana sempre nutriu uma característica essencial a todo cientista: a curiosidade investigativa.

Aos 15 anos, ao ingressar no ensino médio técnico, ela não se contentou apenas em assistir às aulas de Química. Juliana olhou para o lado e viu um problema local: o descarte de resíduos da agricultura. "Por que as cascas de frutas são tratadas como lixo, se a natureza é tão rica em polímeros?", questionou-se.

A estudante realizou pesquisas durante o seu curso técnico no IFRS que renderam diversos reconhecimento, entre os quais o primeiro lugar na área de Ciência dos Materiais da Intel International Science and Engneering Fair, em maio de 2019; e o Prêmio Jovem Cientista, na categoria ensino médio, do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), em 2018. Passou para  Engenharia de Materiais na UFRGS e  colaboradora  em instituições como a ABRIC e o Meninas Cientistas.

A Descoberta: Do Maracujá à Noz-Pecã

Sob a orientação da Professora Flávia Twardowski, Juliana iniciou uma pesquisa que parecia impossível para uma adolescente: criar um plástico que não poluísse o planeta. Sua primeira grande vitória veio com a casca do maracujá. Através de processos químicos de extração, ela isolou a pectina e transformou o que seria lixo em um filme plástico biodegradável. Mas ela não parou por aí. Ao perceber que o processamento da noz-pecã também gerava toneladas de resíduos no Rio Grande do Sul, Juliana desenvolveu um novo material, utilizando os restos da casca da noz para criar um plástico ainda mais resistente. Este bioplástico tem uma vantagem incrível: enquanto um plástico comum leva 400 anos para sumir, o material de Juliana pode virar adubo em poucos dias.

Como ela criou

Criou um plástico biodegradável a partir da pectina, um carboidrato presente na casca do maracujá com propriedades semelhantes às do amido. Resumidamente, ela tritura o revestimento da fruta até ele se tornar uma farinha, e então aquece esse pó.   Depois, foi a vez das sementes do maracujá – cuja superfície porosa foi empregada por Juliana para absorver poluentes (como corantes) despejados pela indústria têxtil em rios. Normalmente, esse processo é feito usando carvão ativado, que tem porosidade similar, mas é muito mais caro. As sementes,que não custam nada, substituem o carvão com eficácia: extraíram 99,7% dos contaminantes em amostras de água poluída.

Em sua terceira iniciativa, a estudante voltou a pesquisar plásticos biodegradáveis. Dessa vez, com a ajuda de uma linhagem de bactérias que produzem fios de celulose. Essas bactérias já existiam, o diferencial foi alimentá-las com cascas de macadâmia, que, como no caso do maracujá, seriam descartadas (o foco de Juliana é evitar o desperdício de resíduos vegetais).

O Reconhecimento: Um Asteroide com seu Nome

A persistência de Juliana a levou longe. Ela venceu o Prêmio Jovem Cientista no Brasil e cruzou o oceano para representar o país na Intel ISEF, nos Estados Unidos, a maior feira de ciências do mundo para estudantes. Lá, ela conquistou o primeiro lugar em sua categoria.     Como reconhecimento por sua contribuição à ciência mundial, a NASA e o Instituto Lincoln batizaram um asteroide em sua homenagem: o 34597 Estradioto. Além disso, Juliana foi a primeira estudante brasileira a ser convidada para a cerimônia do Prêmio Nobel na Suécia, onde pôde jantar ao lado dos maiores gênios da atualidade.

Mulheres que Inspiram: A Mentoria de Flávia Twardowski

Nenhum cientista caminha sozinho, e Juliana teve ao seu lado uma figura fundamental: a Professora Flávia Twardowski. Doutora em Engenharia de Produção e entusiasta da pesquisa científica no ensino médio, Flávia é uma defensora do protagonismo feminino nas ciências.. A parceria entre as duas demonstra que a ciência é feita de colaboração e que ter mulheres em posições de liderança e mentoria é o que permite que novas "Julianas" apareçam em nossas escolas.


Fontes Consultadas e Recomendadas:

  • Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq): Perfil da vencedora do Prêmio Jovem Cientista.

  • Revista Galileu: "Quem é Juliana Estradioto, a jovem que transformou casca de noz em plástico". https://revistagalileu.globo.com/Ciencia/noticia/2019/05/brasileira-ganha-1-lugar-na-feira-de-ciencias-da-intel-maior-do-mundo.html

  • Portal IFRS Campus Osório: Registros dos projetos de pesquisa e extensão da Prof. Flávia Twardowski. https://ifrs.edu.br/osorio/egressa-do-campus-osorio-e-finalista-do-premio-claudia/

  • Jornal da USP / Ciência Brasil: Matérias sobre a participação de brasileiros na Intel IS. (https://jornal.usp.br/universidade/jovens-brasileiros-ganham-oito-premios-em-feira-de-ciencias-nos-eua/)

  • Video: https://globoplay.globo.com/v/7126796/


-Questões  e exercícios:

1. Como o ato de questionar e testar novas ideias ajudou Juliana a encontrar uma solução mais barata e eficiente? Por que ser curioso é importante para um cientista?.

2. Como a pesquisa da Juliana ajuda a resolver um problema da cidade de Osório (o lixo das cascas) e, ao mesmo tempo, ajuda o planeta inteiro? O que a descoberta da pectina na casca tem a ver com ajudar a sociedade?


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